eusouestranha

Eu sou estranha

Muitas pessoas me perguntaram como é ser uma estrangeira. A melhor forma que eu posso descrever é que é como deixar crianças de 2 anos em um shopping e dizer-lhes para se defenderem sozinhas e depois disso sair. É assim que eu me sinto – principalmente sem chão e dependente.

Talvez você diga que eu estou sendo dramática, mas não, não estou! Até que eu possa ler, escrever e falar eu sou basicamente analfabeta. Tentar sobreviver como uma pessoa analfabeta não é fácil. Toda rotina é diferente desde manobrar até o correio até comunicar que quero carne moída no talho. Minhas habilidades de fazer piada com certeza melhoraram. Disso eu não tenho dúvida! Sou mestre em dar um grande sorriso e fazer o sinal de positivo com o polegar com confiança.

Como estrangeira eu tento e peço ajuda para as pessoas locais, não porque eu estou tentando fazer com que elas se sintam úteis, mas porque eu sou INÚTIL sem elas. Por exemplo, quando eu estou falando com elas deixo claro que estou aprendendo o português, de modo a capacitá-las como professoras de idioma enquanto eu estou aprendendo a língua.

Enquanto eu estou aqui no Brasil eu venho dizendo, em Português: “eu sou uma estrangeira”. Meu propósito ao dizer esta expressão é que as pessoas saibam que eu não tenho ideia do que eu estou fazendo, então, por favor, tenha compaixão de mim e seja gracioso quando eu cometer erros! Normalmente quando eu digo esta frase eu pareço um pouco confusa e eu apenas suponho que meu sotaque é tão espesso que eles não podem me compreender plenamente.

Bom, recentemente eu descobri que eu não tenho dito que sou uma estrangeira, mas que eu venho dizendo “eu sou uma estranha!” Oops! Muitas situações fazem sentido agora que eu descobri que estava falando que era uma estranha. Eu ri muito quando eu descobri o que eu estava falando.

Muitos de nós vivemos nossas vidas dentro da realidade de nossa zona de conforto e gastamos muito de nossas energias tentando manter esse conforto. Bom, minha zona de conforto foi  removida. Eu estou tão no limite do normal e conforto nesses dias é algo insano. De alguma forma, no meio do caos e desconforto eu estou encontrando Deus e rindo muito. Eu estou, principalmente, rindo comigo mesma. Eu estou fazendo alguns erros totalmente engraçados com o aprender do idioma. Eu tentei dizer que umidade faz o meu cabelo ficar volumoso, mas ao invés disso eu disse que a HUMILDADE faz o meu cabelo ficar volumoso. Legal! Então, talvez eu tenha dito isso certo o tempo todo, eu sou estranha.

Agora que eu já aceitei que eu sou, de fato, estranha, o medo do que os outros vão pensar de mim não existe mais. Quem se importa com o que os outros vão pensar, a não ser o que Jesus pensa? Ser mal interpretada, ter sido uma piada ou rejeitada não são as piores coisas do mundo. Viver de acordo com as expectativas e opiniões dos homens, ficando assim preso no medo, é! Então, vamos todos aceitar o fato de sermos estranhos juntos e jogar fora as opiniões das pessoas e viver para os olhos de Deus. Os olhos dele são os únicos que realmente importam.

Você pode dizer algo aqui sobre como você está aceitando o fato de você ser estranha? O que está sendo produzido no seu coração? Qual é o seu encorajamento para pessoas que estão com medo de deixar a zona de conforto? Como eles superam esse medo e aceitam o fato de que são estranhos também?

Jennifer Roberts

Jennifer Roberts é membro-fundadora da International House of Prayer (IHOP-KC) desde os anos noventa, onde serviu por quase 15 anos depois de ter sido missionária pela Jocum desde a sua juventude. A partir de sua peculiar história de vida, tornou-se uma apaixonante comunicadora da mensagem do amor de Deus, das verdades que transformam vidas e do valor da mulher.

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5 comentários

  1. Ola Jennifer!!!
    Sou estranha e estrangeira também… Aos 38 anos os Senhor nos chamou, meu esposo e meus dois filhos pre-adolescente e eu para o Uruguay. É um país vizinho ao Brasil, pensamos que seria fácil. Mas não foi assim. Especialmente o primeiro ano, enquanto decifravamos a cultura e aprendíamos o idioma, foi muito difícil. No meu caso particularmente, ser “inutil”, foi o trato de Deus comigo. Aprender a SER e não FAZER. Aceitar o fato de que você vai se equivocar sempre quando fala, e muitas vezes não vai entender o que dizem…foi e é um processo de humildade. E assim de uma maneira nada sutil o Senhor nos tira dos lugares cómodos e nos desafía a viver em um nível de dependencia, humildade e entrega .
    Agora fazem 6 anos que estamos em “campo”. Não entendemos por completo o povo uruguaio, muitas coisas são indecifráveis para nós, mas o Senhor Jesus tem derramado em nossos corações um amor tão sobrenatural por este país e sua gente, que não temos opção… Eis-me aqui Senhor!!!
    Bjos

  2. Realmente, aceitar momentos nosso de dependência não é facil. Ainda mais nós como mulheres, sempre fazendo e se virando sozinha. Mas Deus nos ensina e mostra o Pai que Ele é. Que Ele sim nos compreende mesmo quando os outros não nos entende, que Ele nos direciona quando estamos perdidos e que podemos confiar em pessoas que Ele coloca em nosso caminho… mas volto a dizer, não é fácil. Acho que é uma luta diária manter nosso coração confiantes no amor de Deus e não nos julgar quando somos incompreendidos e quando estamos nessa dependência, quando somos esse ser estranho…
    Deus Pai nos ajude!
    Me ajude a vencer isso.
    Abraços Jeniffer!! Você é incrível!

  3. Fui estranha por 10 anos nos EUA, mas amei, e quando voltei para o meu pais, me tornei extremamente estranha nele, deslocada e sem chão, descobri que posso ir para qualquer parte do mundo, recomeçar de novo e fazer novas amizades, aprender e celebrar novos costumes, línguas, me deliciar com sabores estranhos, tenho mais compaixão e vejo a vida com muitas possibilidades, eu precisei perder o chão para aprender a voar, e voar cada vez mais alto.
    Beijos Jennifer, o Brasil te ama 😉

  4. Nunca fui para outro país, nunca saí de perto de meus parentes, mas sou uma estranha…sou uma ovelha branca na minha família, a primeira convertida, e sempre fui diferente, olhando pra trás vejo que o Senhor me separou, mesmo dentro de minha casa…vivo com meus filhos, minha filha é convertida, meu filho não, mas ele é e não sabe na verdade…rsrsrs
    Vencer os desafios presentes em nós mesmos acho que é o maior desafio, falo outra língua dentro da minha própria casa, meus parentes não viram a luz que eu vi no Senhor, ainda, mas creio que isso não vai demorar a acontecer…
    Falar uma língua diferente num país estrangeiro, é uma barreira que podemos vencer, com algum esforço, mas ser estrangeiro dentro de seu próprio país, acho mais complexo…
    Não conhecia a fhop, descobri agora através de um amigo de faculdade, faço faculdade com jovens da idade dos meus filhos, e vim visitar o site e li sobre ser estranha. Achei que deveria falar alguma coisa…A Paz!

  5. Estranha?? o que e isso?? rsrsrs as vezes mesmo tendo 7 anos aqui no Brasil, e quando minha mente fica muito cansada e não consigo mais pensar em português, ainda me sinto estranha, tem pessoas que falam, mais gringa vc e Brasileira, mais no fundo, eles sabem que não e bem assim, que ainda continuo sendo gringa.
    As vezes ate hoje me incomoda um pouco quando encontro pessoas, que me zoam com meu sotaque, mais só quando sinto um pouco de deboche, ja não fico brava como antes.
    No inicio as vezes ate meu esposo, esquecia que por mais que seja de America do Sul, a minha cultura e bem diferente.
    Hoje meu coração, foi mudado, pois não tenho mais vontade de bater quem no lugar de me ajudar, fica meio debochando do meu ainda forte sotaque ( Jennifer, não fica triste mais e uma coisa que dificilmente perdemos, tenho orgulho de isso rsrsrs ) hoje sei que estou num lugar no qual eu não nasci certamente, mas este lugar e minha casa, neste lugar Deus me deu minha outra família, estou aqui por que Deus me trouse!! e amo esta terra.
    Neste lugar meu coração e estranhamente brasileira, que nasceu em outro Pais.

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